A ansiedade bate à porta.

Ansiedade

A minha cabeça me aprisiona de tempos em tempos. Sem cela. São pensamentos. Inúmeros, incontáveis. Por todos os lados. São perguntas, medos, insatisfações e inseguranças. Imagens daquilo que eu deveria ser. Cronômetros me mostrando onde eu já deveria estar. Questionamentos que pressionam minhas têmporas e fazem ser praticamente impossível ouvir qualquer outra coisa senão o medo. A ansiedade. São nesses momentos que mais me afasto de mim.

Nessas últimas semanas o ruído voltou. Momentos de extrema ansiedade que me tiram o fôlego. Uma vontade de fazer alguma coisa. Paradoxalmente, eu nunca estive tão ocupada e trabalhando tanto. No fundo, sei que a vontade não é de fazer qualquer coisa. Mas de fazer a coisa certa. Algo definitivamente diferente do que estou fazendo. Algo que me trará um sentimento perdido de conquista, de orgulho, de satisfação. Minha ansiedade tem nome: o medo do potencial desperdiçado.

Somos rodeadas por sinais e indicações de caminho. Siga por aqui, dizem seus pais. Siga por ali, dizem aqueles estranhos que passam na sua timeline diariamente. Seus professores, seus amigos, as redes sociais e a sociedade. Todos eles têm uma opinião sobre o seu caminho. Até a sua mente, que você sabe bem que não é completamente sua, ela também tem uma opinião.

fELICIDADE

Como construir a vida dos seus sonhos quando é tão difícil delimitar o que você realmente quer? O que vai, verdadeiramente, te  trazer satisfação e felicidade?

A ansiedade é inevitável. É difícil se conhecer, conhecer seus próprios sonhos, quando se está cercada por informações, ruídos, opiniões, comparações, o tempo todo.

E se você chegou aqui, nesse post, é porque você também está sedenta por uma resposta. Algo para acalmar seu coração. Quem sabe uma indicação definitiva do caminho que você deve seguir.

Felizmente, ninguém pode prescrever uma receita pra sua vida. Muito menos eu.

O que eu posso fazer é te ajudar a compreender como você chegou aqui, nesse momento. Com a ansiedade fazendo seu coração bater forte, dificultando sua respiração, trazendo um amontoado de névoa à sua mente, e deixando você irritada com tudo e todos, principalmente com você mesma.

DOIS

Você, assim como eu, não sabe direito quem você é. Isso é inevitável. Durante toda a sua vida foram os outros que ditaram isso. Foram outras pessoas que identificaram e rotularam suas ações e, consequentemente, você.

Afinal, é assim que seres humanos aprendem o que são as coisas. A primeira vez que você viu um carro, seus pais provavelmente te ensinaram que aquilo era um carro. O mesmo aconteceu com basicamente tudo que te cerca. Inclusive com você.

Os outros e suas opiniões foram os espelhos que refletiram atributos que você não reconhecia, que ainda não tinham nome ou significado, que não te determinavam, até o momento que alguém o fez.

Consequentemente, você cresceu acreditando que era tudo aquilo que te disseram, ainda que sem querer.

Até hoje parece que estou vivendo para provar pra todo mundo que não sou bem isso ou aquilo. Mas, se for pra ser sincera comigo mesma, eu não permitiria que essas opiniões delimitassem minhas ações se eu não acreditasse, lá no fundo, que elas têm um “quê” de verdade.

Provavelmente, as suas escolhas também se pautaram, de uma forma ou de outra, na perspectiva de outras pessoas sobre você. Alguém te disse que você tinha jeito de médica, ou de advogada, ou que tinha facilidade pra tal coisa e não pra outra. Alguém te disse que ganhar dinheiro sendo escritora era quase impossível, ou que artista só ganha dinheiro se fizer novela.

Aí você foi vivendo uma vida que não era bem sua. Mas até então tava tudo bem. Afinal, fazer o que esperam de você geralmente traz aplausos, recompensas.

Ansiedade

No entanto, essas recompensas começam a ter um sabor amargo. Você quer outra coisa. Você, lá no fundo sabe quem você é. Mas essa concepção está tão soterrada em opiniões alheias que ela se tornou praticamente silente. E quando você começa a escutar uns sussurros, começa a sentir e compreender: Opa, isso aqui não está bem alinhado com o que eu quero.

Mas o que você quer?

É impossível responder essa resposta sem primeiro encontrar o que você é. Qual das vozes dentro da sua cabeça é verdadeiramente sua. Talvez nem mesmo uma delas.

Então, lidar com a ansiedade se trata primeiramente de lidar com o problema dos ruídos. Todas essas vozes e barulhos aí dentro da sua cabeça (e da minha). Inclusive aquele cronômetro que tem dito pra você que seu tempo está passando e logo logo acabará. Ou que até já tenha determinado que é tarde demais.

Para escutar sua verdadeira voz, você tem que se afastar de todas essas vozes. Encontrar silêncio e descobrir sozinha como alcançar a resposta pra essas perguntas fundamentais. Quem você é. O que você quer.

Ansiedade

Cada uma de nós encontrará sua própria forma de fazer isso: meditação, escrever, estar na natureza, yoga… O importante é buscar uma forma de estar verdadeiramente sozinha com você mesma. Ter o silêncio e o tempo para mergulhar aí dentro de você.

E eu sei que é pedir demais. Eu sei que o silêncio é difícil de alcançar. Estamos pensando nas nossas obrigações, nossas angústias, o tempo todo.

Por isso, a palavra chave aqui é resiliência. É de pouco a pouco caminhar em direção a esse encontro.

Para mim, isso significa:

  • Passar mais tempo sozinha
  • Respirar fundo e conscientemente
  • Passar mais tempo na natureza (na praia, na floresta, no jardim…)
  • Desligar meu celular
  • Meditar
  • Escrever
  • Praticar yoga

Porém, para você pode ser diferente. Não existe uma resposta genérica. Só existe a sua resposta, que vai sempre estar certa, afinal é só você quem verdadeiramente conhecerá essa coisa linda e maravilhosa que vive aí dentro de você. Só você viverá a sua perspectiva da realidade. E só você saberá os caminhos para alcançá-la. E isso é lindo.

Ansiedade 

Então, o primeiro passo é decidir. Decidir a perseguir com todas as suas forças sua verdadeira identidade. E, a partir dela, compreender e delinear aquilo que você realmente deseja.

Talvez comece separando um tempo para você. Para pensar, ou escrever, em respostas para algumas perguntas:

  • O que te faz feliz?
  • O que te faz querer estar viva?
  • Quando você se sente verdadeiramente você?
  • Quais julgamentos te fizeram pensar menos de si própria? Você consegue reconhecer que eles vem de fora?
  • Quais atributos você mais ama em você?
  • Qual a sua realidade ideal? Quais sentimentos você vive nela?
  • Se você não tivesse nenhuma limitação, o que você faria? Quem você seria? E essas limitações que você acredita ser agora, são reais? São intransponíveis?

E, acredite, é um processo longo e demorado. Mas o simples fato de saber que você está se esforçando para se conhecer já te libertará pouco a pouco.

Ansiedade

O importante é compreender: você tem seu próprio tempo. Sua própria jornada. E essa ansiedade corroendo seu coração é produto de uma sociedade que diminuiu a importância da essência para dar primazia àquelas recompensas amargas. Uma sociedade doente. Uma sociedade a qual talvez seja melhor não se conformar.

Não tenha medo de seguir as coisas que fazem seu coração vibrar. Não renuncie a sua felicidade pelas preocupações que parecem gigantescas, mas são ínfimas no grande espectro das coisas.

ANSIEDADE

Por último, é importante deixar de focar em resultados. Em um objetivo final. Ele não existe. O seu caminho é ele próprio o objetivo, o resultado. Você é a experiência. Essa é a incrível oportunidade de experimentar o que significa ser você, amar as coisas que você ama, expressar as mensagens que vivem dentro de você.

Então, não se agarre a uma imagem do que você precisa se tornar. Das experiências que você quer viver. Nem mesmo aos sentimentos e impressões que você espera experimentar.

Você não sabia que estaria aqui há um ano. E você com certeza não sabe onde estará no futuro. E ao invés de deixar que isso alimente sua ansiedade, permita-se ser livre. As coisas não vão acontecer exatamente como você planeja, então para que sofrer com o ilusório peso das decisões?

Viva no presente. Sei que parece uma afirmação barata e repetitiva. Mas as verdades mais profundas são também as mais singelas. As mais óbvias.

Viva o agora, o que faz você sorrir agora. Amanhã você pode ser outra e querer algo totalmente distinto. Então foque nos resultados do presente: cuidar de você, expressar-se, amar sem limites.

O sofrimento dos arrependimentos e da saudade vem do seu apego ao passado. A ansiedade e o medo vêm do seu apego ao futuro. Desapegue-se. Viva o momento presente. Delicie os sentimentos que você vive agora, a tristeza, a felicidade, o amor… São eles que fazem de você humana. São eles que fazem valer a pena viver.

 

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