Filipinas: tudo o que você precisa saber

Conhecer as Filipinas era um sonho, então minhas expectativas não podiam estar mais altas. Eu sabia que viajar sozinha por lá não seria tão tranquilo quanto pela Tailândia, mesmo assim meus primeiros momentos foram de muito desapontamento. Inclusive mandei uma mensagem no grupo da família dizendo que estava com muito medo, desapontada e que queria voltar, logo no primeiro dia.

Só para situar vocês: chegando em Cebu eu não apenas era a única menina ocidental, atraindo literalmente todos os olhares do aeroporto, como também descobri que meu hostel era a exatas 3 horas de distância, sem ter a mínima noção de como chegar lá. Tentando escolher a opção mais segura (muitos homens passavam falando coisas bem baixas e perguntando se eu estava sozinha), escolhi um Grab que me custou muito dinheiro e me aprisionou por 3 horas com um taxista que também fez questão de me constranger e amedrontar a viagem inteira (um relato que você pode ler, mais a fundo, aqui). Então posso dizer que o país não causou a melhor das primeiras impressões.

As Filipinas, de fato, tem seus altos e baixos. As paisagens paradisíacas contrastam muito com a pobreza e a falta de condições básicas como o tratamento do lixo e da água.

Além disso, como eu imaginava, me senti muito mais em risco nas Filipinas que na Tailândia. Sofri bastante com encaradas, muitas perguntas má intencionadas de homens, e até hoje não sei se eles são realmente muito curiosos ou se havia sempre algo a mais. Posso relatar apenas o que senti, e apesar de às vezes perceber mera curiosidade, na maioria das vezes me parecia algo invasivo, agressivo e mal intencionado. Em El Nido esse problema foi tão presente que eu jantava cedo para não ter que voltar sozinha pro hostel, ainda que de triciclo.

No entanto, felizmente, eu não desisti de primeira e logo me apaixonei de novo pelas Filipinas, com todos os seus problemas. A verdade é que é um país com pessoas muito felizes, apesar de toda a pobreza e sujeira. É uma realidade que mexe com suas estruturas e te mostra que pra ser feliz não é preciso muito. Viajar sozinha por lá foi uma aventura que me fez crescer muito, e eu recomendo 100%.

Fui embora desse país lindo muito exausta, mas também muito realizada e já planejando voltar. Não fui para algumas áreas que planejava ir, uma vez que o transporte dentro do país (em sua maioria, por avião ou ferry) foi bem mais caro do que eu esperava. Mas ainda quero voltar para conhecer Siquijor, Siargao e alguns outros lugares que parecem ser maravilhosos. Além de Boracay, que estava fechado.

Agora, sem mais delongas, vamos para as dicas:

COMO CHEGAR NAS FILIPINAS:

Comprei meu voo para Cebu saindo de Bangkok e já aviso, mesmo que você já esteja na Ásia, esse trajeto é mais caro que os demais. Minha passagem custou 241 dólares!

A dica pra achar passagens dentro da Ásia é usar sites que incluam na busca as empresas low cost (Air Asia, Scoot, Lion Air…), porque os grandes sites geralmente só incluem as grandes companhias aéreas. Eu uso o skyscanner e o kiwi para encontrar os valores, mas geralmente fecho a compra no próprio site da companhia, por motivos de segurança e para não pagar as taxas dos sites (passei por um perrengue bem ruim quando comprei pelo site de busca).

Saindo do Brasil esse trajeto vai ser bastante caro, mas às vezes rolam algumas promoções para o sudeste asiático e você pode aproveitar para esticar uma perninha e visitar esse país lindo. Eu particularmente amo usar o passagens imperdíveis (o app e o Instagram) pra ficar por dentro dessas promoções.

Algo muito importante, que você precisa saber: para poder entrar nas Filipinas você já precisa ter a passagem de volta comprada. Eu, infelizmente, só fiquei sabendo disso na hora do check-in, uma hora e meia antes do voo. Tive que procurar desesperadamente uma passagem de saída para Bali e decidir uma data de volta aleatória, baseada nos valores. Então assim que você fechar a passagem de ida, já garanta a de saída. Vai por mim. Eles não me deixaram sequer fazer o check-in sem isso.

Ademais, você tem a opção de chegar por Manila, mas também de já ir direto pra Cebu, Palawan ou para a ilha que você tenha decidido iniciar sua viagem. Eu recomendo evitar Manila a todo custo, principalmente se estiver sozinha, a não ser que seja apenas para uma conexão. Foi a pior cidade que eu visitei no sudeste asiático e não quero voltar pra lá nunca mais. NUNCA. MAIS.

TRANSPORTE NAS FILIPINAS:

Diferentemente da Tailândia, não existe tuk tuk nas Filipinas, mas sim os famosos triciclos, que consistem em uma moto com uma carretinha acoplada, com dois banquinhos, e que geralmente é usada para carregar um milhão de pessoas, mais um porco, mais duas galinhas e uma geladeira.

Seguro não é, mas é geralmente a única opção além do aluguel de uma moto (que eu nunca tive coragem de pilotar). Vale lembrar que eles são sacaninhas e geralmente pedem de cara um valor que é o dobro (a depender da sua cara pode chegar até ao triplo!) do valor que realmente custa seu trajeto. Aconselho perguntar no hostel o valor e já chegar ditando o preço e se eles falarem não faça aquele joguinho “ah então deixa, vou achar outro”, que geralmente eles vem atrás topando o valor. Só não vale fazer isso pedindo algo muito abaixo do valor que te falarem no hostel. O valor tem que ser justo pros dois.

Além disso, o Grab também funciona nas Filipinas, mas geralmente só nas cidades mais centrais como Cebu, Manila e Puerto Princesa. Nas cidades pequenas não funciona. Pra quem não sabe, o Grab é o Uber asiático, e vale muito a pena, principalmente porque o valor é fechado, justo e oferece toda a segurança que o Uber oferece nos demais países.

A viagem dentro das ilhas pode ser feita de van, de grab, carro particular ou ônibus. Os locais são muito solícitos e quase todo mundo fala inglês, o que ajuda em muito na hora de se locomover.

INTERNET NAS FILIPINAS:

Esse tópico é bem importante, porque se você precisa reservar qualquer coisa, resolver qualquer coisa online, o melhor é que você faça isso antes de ir pra Filipinas. Isso porque a internet lá é horrível.

Aliás, horrível é um jeito fofo de chamar a internet filipina, que muitas vezes não carrega nem simples mensagens de whatsapp. E não é um problema somente da internet das operadoras telefônicas, mas também dos wi-fis, inclusive dos hotéis e hostels.

Uma boa dica pra você nunca se perder, mesmo quando o google Maps não funcionar por conta da internet ruim, é baixar o aplicativo Maps Me, que faz o download prévio dos mapas dos lugares e te guia mesmo quando você não tem internet. Depois de feito o download marque os lugares principais que você já sabe que vai visitar, o hostel, os restaurantes bons (juro, não tem muitas opções, então marque os bons pra não acabar comendo mal, ou passando mal), entre outras coisas.

Outra dica é a seguinte: existem duas grandes operadoras telefônicas nas Filipinas, a Smart e a Globe. As duas são ruins, não se engane. Mas entre as duas, a “menos pior” é a Globe, algo que eu, infelizmente, só fui descobrir com os locais bem depois de chegar no país, quando eu já estava em El Nido e já tinha comprado um chip da Smart.

Mas como o chip é bem baratinho, assim que meus dados acabaram eu mudei pra Globe e fui um pouquinho mais feliz com minha internet. Pelo menos o WhatsApp funcionava.

O importante é saber que você vai precisar e aprender a se desconectar em território filipino, porque a maioria dos lugares não tem qualquer serviço. Nem para ligar, nem para internet. Quando você já vai sabendo disso fica mais fácil não se estressar ou se desapontar com a falta de internet de qualidade. Afinal você vai estar em um dos lugares mais lindos do mundo.

DICAS DIVIDIDAS POR LOCAL:

  • CEBU (Oslob):

euzinha com uma whaleshark

Oslob é conhecido por duas atrações principais: nadar com as baleias (whalesharks) e visitar as cachoeiras (sendo que a mais famosa é a Kawasan Falls). Cebu é uma cidade grande e sem muitos atrativos, então eu recomendo a hospedagem em Oslob, ou em algum lugar próximo.

No entanto, já saiba que Oslob e as cidadezinhas próximas são bem pequenas então não há muitas opções de restaurantes e outras coisas além das atrações turísticas. Eu, por exemplo, passava todo meu tempo livre no hostel, onde eu também comia todas as minhas refeições e o único lugar possível pra “sair”.

Uma dica muito importante é sacar o máximo de dinheiro possível antes de ir pra Oslob, porque quando eu estava lá nenhum caixa eletrônico, de todas as cidades próximas, funcionava. Eu só fui salva porque conheci pessoas muito legais que me emprestaram dinheiro e porque o hostel aceitava cartão pra pagar as refeições.

Agora, as dicas, divididas em tópicos:

  • Como Chegar:

Os voos pra Cebu, partindo de Manila, são muitos, mas você pode pegar um voo direto pra Cebu saindo de outros países do Sudeste Asiático, como foi meu caso (meu voo foi direto Bangkok – Cebu).

Se você é uma mulher viajando sozinha, prepare-se, no aeroporto eu era a única mulher ocidental e isso atraiu muitos olhares. Tanto que fiquei muito assustada e acabei cometendo a burrada de pegar um Grab do aeroporto até o hostel, perto de Oslob, pela bagatela de R$190. Sim. DUZENTOS REAIS.

O correto, como vim a descobrir, é pegar um grab ou táxi até a estação de ônibus de Cebu e, de lá, pegar um ônibus em direção a Oslob que não custa nem R$6. Ah, e todo mundo fala inglês. Todo mundo. Então, se você precisar de qualquer informação, pode perguntar sem medo pros locais que, por sua vez, são muito receptivos e adoram ajudar.

Vale lembrar que os aeroportos nas Filipinas são muito diferentes que em outros países. Por exemplo, você só pode entrar no aeroporto se tiver uma passagem, então não existe a opção de comprar a passagem no balcão da companhia aérea e você tem que ter o comprovante pra mostrar pra segurança antes mesmo de entrar no aeroporto.

Isso faz com que quase não tenham opções uma vez que você sai do voo. Só alguns quiosques vendendo sim cards, algumas conveniências e quiosques de táxi.

  • Hospedagem:

Primeiramente, pra encontrar hostels na Ásia eu recomendo sempre usar o Agoda. O hostelworld também é muito bom, mas no agoda eu sempre encontrava mais opções, melhores preços e resolvia tudo muito fácil pelo app.

Em Oslob fiquei em um hostel chamado Nordzee hostel, que me foi recomendado por uma menina que conheci em um café em Chiang Mai (assim que as coisas acontecem num mochilão, você vai compilando todas as informações que as pessoas que você conhece no caminho te fornecem). Ele fica no meio do nada e tem uma praia privativa muito linda.

praia privativa do Nordzee
Praia do hostel sem nenhum filtro

O hostel é maravilhoso no quesito infra estrutura geral, mas peca em alguns outros pontos, como a qualidade dos banheiros e dos quartos. Vou fazer um post detalhado sobre ele depois, mas recomendo muito, porque é o melhor na área. Além disso conheci as melhores pessoas nesse hostel, é um ambiente muito sociável e perfeito pra quem está viajando sozinha.

Ah, o valor é bem em conta: R$27 a diária, fechada pelo Agoda. As comidas do hostel são também bem baratinhas (tem um preço médio se comparadas com o resto das filipinas, mas considerando que eles praticamente têm um monopólio é incrível como eles não superfaturaram todos os produtos). Eu gastei nos três dias com todas as refeições e bebidas (inclusive alcoólicas) um total de R$146. Juro.

Eles têm opções veganas e vegetarianas no cardápio e dois bares que funcionam o dia inteiro. Por perto você não vai encontrar muita coisa, só as padarias maravilhosas (vocês têm que provar o pan de azúcar e o everlasting da Julie’s Bakeshop é de comer rezando) e alguns bares com karaokê (o karaokê é muito famoso nas filipinas, eles amaaam cantar!).

  • O que fazer:

Uma das maiores atrações, senão a maior, de Oslob (e da área de Cebu inteira), é o nado ou mergulho com as baleias-tubarão, ou Whale Sharks. No entanto, eu tenho más notícias pra vocês que sonham com esse encontro: a experiência não é nada do que parece ser e é, de fato, péssima.

Eu sou culpada de não ter pesquisado tanto, tendo me perdido em tantas coisas que precisavam ser estudadas, reservadas, compreendidas. Então eu não sabia direito como era o passeio, só sabia o que tinha visto nas fotos do Instagram: um encontro mágico com animais majestosos. Em um próximo post explico um pouco mais porque não recomendo.

Além do nado com as baleias, outra atração bem famosa é a das cachoeiras. A mais famosa delas é a Kawasan Falls, que eu não visitei porque me disseram que estaria lotada de turistas. Ao invés disso, fiz um tour privativo com uma galera incrível que conheci no hostel.

O nosso guia do nado com as baleias, Tummy, nos levou pra três cachoeiras por um precinho muito barato. Ele nos apresentou pra família dele e levou a gente pra todos os caixas eletrônicos da área, sem cobrar a mais, pra que a gente tentasse sacar um dinheiro. Se voce for pra Cebu, o telefone dele é (093) 27398854. Prometo que vai valer a pena e você vai ajudar muito uma família local que precisa. Ele faz todos os tours da área, inclusive Kawasan Falls.

  • EL NIDO

    nada como passar as tardes em uma ilha deserta

El Nido é o destino mais famoso das Filipinas, disputando somente com Boracay. Fica na pontinha norte da ilha de Palawan, e é uma cidade bem pequena, com pouca infra-estrutura. As consequências do turismo predatório são muito visíveis e a pobreza do povo filipino salta aos olhos. O contraste com as belezas naturais do lugar é bizarro.

Logo que cheguei fiquei bem assustada, já que ninguém tinha me antecipado para a realidade. Nos vídeos que eu via no youtube somente as partes maravilhosas apareciam. Senti medo andando nas ruas de volta pro hostel, as ruas não eram bem iluminadas e os homens eram bem invasivos.

Mesmo assim, a memória mais profunda que tenho de El Nido é a da emoção que senti entrando na Big Lagoon. Meus olhos se encheram de lagrimas e até hoje não vi algo que se comparasse com aquele lugar. Parece que você está entrando em um universo paralelo. É indescritível. Mas você pode ler a minha tentativa de descrever essa emoção nesse post.

  • Como chegar:

Ok, essa parte é bem chata. Tanto chegar como ir embora de El Nido envolve uma verdadeira jornada. Eu voei de Cebu para Puerto Princesa, a capital de Palawan (um voo que me custou 69 dólares). Existem voos diretos para El Nido, mas eles são muito mais caros.

De Puerto Princesa para El Nido são, no minimo, 5 horas de carro. Você pode pagar uma fortuna para ir de taxi, ou pagar 500 pesos (R$36 reais) e ir de van com outras pessoas. Eu fui e voltei de van e foi super tranquilo, tanto de dia quanto de noite.

A van te deixa na estação de El nido e de lá você pode pegar um triciclo pro hostel ou ir andando, já que tudo é muito perto. Eu fui andando mesmo.

  • Hospedagem:

Decidir onde ficar em El Nido vai depender muito do que você está buscando na sua viagem. Se quiser festa os principais hostels são o Outpost Beach Hostel, que fica na areia, de frente pro mar e bem perto do centro de El Nido, e o Mad Monkey, que fica também na areia, de frente pro mar, mas em Nacpan Beach. Nacpan fica a 20 minutos de El Nido e não tem literalmente nada, só o hostel e alguns quiosques. Isso faz com que as festas nesse hostel sejam BEM loucas, e eles servem shots de graça o dia inteiro (de verdade, fui lá 9 da manha e estavam rolando shots de graça).

Eu não estava afim de ficar em um party hostel, porque prefiro ter paz no lugar que durmo. Então fiquei em um hostel maravilhoso chamado The Cavern, muito limpo, moderno e com wifi. A comida lá era maravilhosa, o chuveiro também e o pessoal que trabalhava lá era muito querido. Eu recomendo 10/10.

Ah, e a distancia do centro e do porto de onde saem as tours é bem pequena. Dá pra ir a pé. O preço é um pouquinho mais alto que o do Nordzee, mas também não chega a ser caro. Paguei R$55 a noite pelo Agoda.

  • O que fazer:

Sem dúvida, a atração principal de El Nido são as tours. Você pode escolher entre quatro diferentes (A,B,C e D) e elas custam por volta de 1200 pesos (93 reais), incluindo o almoço em uma das ilhas.

Eu não fiz nenhuma das tours, porque fui muito sortuda. Na primeira noite conheci uma francesa em um restaurante (o melhor da cidade pros veganos, chamado happiness beach bar), que me chamou pra ir com ela e as amigas em uma tour privativa.

Essa tour incluía as ilhas que nós mais quiséssemos conhecer e algumas que o capitão recomendou. Fomos para um ilha completamente deserta, e visitamos os pontos principais fora do horário das tours principais, então tivemos a Big Lagoon só pra gente. Foi incrível.

Eu garanto que se você puxar assunto com a galera do hostel é possível fechar um grupo pra fazer esse mesmo tour privativo. Eu fiz isso em Coron e deu super certo. Não que as tours fechadas não sejam legais (fiz uma em Coron), mas as privativas custam o mesmo e te permitem mais liberdade em relação a horários, lugares para visitar, e a ordem das visitas.

A cidade em si não tem muitas opções, então durante o dia parece uma cidade vazia. Todo mundo sai pra fazer as tours ou para visitar uma das praias próximas: Nacpan e Las Cabanas.

a praia mais linda que eu visitei no SEA
Nacpan Beach

Nacpan foi, sem dúvidas, uma das praias mais lindas que eu já visitei na vida. É relativamente afastada do centro de El Nido, uns 20 a 30 minutos de van ou de triciclo, e tem bem poucas opções de comércio. O sinal de telefone não existe e você é obrigado a aproveitar a natureza e conectar com as pessoas.

Eu fui sozinha e cometi o imperdoável erro de não pesquisar o valor médio da ida e volta, assim acabei pagando quase 700 pesos só de ida num triciclo, sendo que tinham vans que cobriam a ida e volta por 600. Pelo menos chegando lá conheci um uruguaio que me deu carona de volta pra El Nido.

A faixa de areia é muito extensa, e na orla só existem algumas tendas e restaurantes. Lá em Nacpan fica o famoso Mad Monkeys, um hostel de festa que serve shots de graça a cada hora. Como vocês podem imaginar, é um lugar bem sociável e, como eu estava sozinha, resolvi tomar meu café da manhã lá pra tentar conectar com as pessoas. Deu certo. Conheci uma das melhores amigas da viagem lá, apesar de o cenário ser quase catastrófico, com pessoas extremamente bêbadas às 10 da manhã.

Do ladinho do hostel tem uma barraquinha com muitas opções veganas. Eu recomendo parar ali e tomar um shake de banana com manga. Juro, melhor shake que existe. Vai por mim.

Existe uma parte ainda mais reclusa de Nacpan, e fica no final esquerdo da praia, depois do Mad Monkeys, passando pelo vilarejo de locais. Você acaba em uma praia onde só as crianças locais estão brincando, sem nenhum som e com uma energia incrível. Eu assisti o pôr do sol ali e foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Só de lembrar já fico cheia de saudade.

o céu nas Filipinas fica rosa em todo pôr do sol
Pôr do sol em Nacpan, sem filtro

Além de Nacpan, El Nido tem uma segunda praia, bem mais perto, chamada El Cabañas. Essa praia não é tão linda quanto Nacpan, mas também é maravilhosa.

A entrada pra praia é uma escadinha quase sem sinais. Você tem que “adivinhar” ou perguntar pro pessoal. Depois da primeira vez fica fácil. Ela é pertinho do Outpost Beach Hostel, então você pode ir de triciclo, a pé ou com sua scooter.

A primeira parte da praia é a mais lotada, com restaurantes bem legais (a moda em El Nido é usar balanços como cadeiras nos bares, é muito fofo), e vários lugares pra ficar curtindo o sol. O mar é calmo, assim como Nacpan, e a temperatura da água é muito agradável.

Eu recomendo andar até o final da praia e virar a esquerda quando ela acabar. Ali fica a outra parte de El Cabanas, sem comércio, apenas casas de locais. O pôr do sol dali é incrível, e você tem a praia praticamente só pra você.

até com nuvens é lindo
Pôr do sol em Las Cabañas

Um lugar secreto que tenho até peninha de compartilhar é o The Bird House El Nido, um lugar de glamping (aquelas tendas estilosas que fazem sucesso no airbnb) que também é um café vegano que oferece diariamente aulas de yoga durante o pôr do sol.

Eu vi uma plaquinha minúscula indicando as aulas de yoga e tive que ver o que era. Valeu a pena. Depois de muitos degraus, cheguei em uma das vistas mais lindas de El Nido, comi um hambúrguer vegano maravilhoso e ainda fiz uma aula de yoga incrível. Se você for lá não deixe de dizer que foi por indicação minha, eles vão te dar uma atenção extra, prometo.

queria focar na vista mas o fotógrafo deixou a desejar rs
Vista da Bird House 

Por fim, vamos falar de atrações noturnas. As noites quase sempre começam no Outpost, que também oferece uns shots de graça, além de ter noites temáticas, cada dia com uma proposta diferente pra engajar os hóspedes e os visitantes. Tem dias que fica tão lotado que é impossível andar.

Só que, por motivos legais, a música e os barulhos tem que acabar à meia noite. Então de lá o pessoal se junta e vai pro centrinho, onde geralmente escolhem um bar e depois acabam na única boate da cidade. É bem legal, mas tome cuidado se você estiver sozinha. El Nido não é um lugar tão seguro assim para mulheres, e ficar bêbada ou voltar pra casa sozinha são, infelizmente, riscos muito altos para se tomar.

  • Dica importante:

El Nido fica na pontinha norte da ilha de Palawan e é uma cidade com pouca infra-estrutura, então a administração de recursos naturais fica bem comprometida. O mesmo aconteceu em Boracay e, por isso, interditaram o acesso por turistas por 6 meses.

triste realidade
A realidade que ninguém mostra: locais queimando o lixo

As consequências desse alto crescimento de turistas sem o devido planejamento estrutural afetaram a distribuição de água e a coleta do lixo (que basicamente não existe, os locais juntam o lixo e queimam na rua). Então um dos problemas que muitos locais e turistas enfrentam é a falta de água e a contaminação da água encanada.

Muitas pessoas que eu conheci ficaram muito doentes (praticamente todo mundo que foi pra El Nido), com aqueles sintomas chatos de infecção intestinal. Eu só escapei porque fui muito cuidadosa. E sugiro que vocês também sejam.

Escovar o dente e lavar o rosto com água filtrada (pegar do bebedouro do hostel ou usar a de garrafinha mesmo), lavar bem as mãos com álcool em gel, não consumir gelo que não tiver o buraquinho no meio (sinal de que é feito com água tratada), e ter muito cuidado com os lugares em que você se alimenta são as medidas básicas a serem tomadas.

Além disso, não contribua para o problema. Economize água e jogue o lixo no lixo. Mesmo quando os locais não o fizerem, cabe a nós também preservar os paraísos que nos restam no mundo.

  • CORON

    Coron é surreal
    Olhem essa água em uma das ilhas de Coron 

Coron foi minha parte preferida das Filipinas. E isso se deve, principalmente, às pessoas que eu conheci. Vivi uns dos dias mais incríveis da minha vida, explorei paraísos praticamente intocados pela humanidade e criei laços de amizade que levarei para o resto da vida. É longe (4 horas de ferry de El Nido, 14 horas de ferry de Manila), mas vale muito a pena ir.

A cidade é bem mais bonita e arrumada que El Nido, as pessoas também são mais calorosas. As opções noturnas são ainda mais limitadas, mas isso não impede que você tenha noites memoráveis, ainda mais se você ficar hospedado no HOP, o melhor hostel que já fiquei na vida.

Uma dica muito importante: venha com dinheiro de El Nido. Os caixas eletrônicos nem sempre funcionam (principalmente nos finais de semana e feriados), então você corre o risco de ficar sem dinheiro vivo e a maioria dos lugares não aceita cartão. Eu, pra variar, fiquei sem dinheiro por lá. Então não corra o risco.

  • Como Chegar:

Você tem duas opções pra chegar em Coron: um voo direto (geralmente caro), ou de ferry (vindo de Manila ou de El Nido).

Eu fui de ferry partindo de El Nido e voltei pelo mesmo trajeto, porque tinha comprado minha passagem pra Bali saindo de Manila, e a passagem pra Manila saindo de Puerto Princesa. Depois me arrependi um pouco, o trajeto até El Nido é de 5 horas, depois mais 6 horas de van até Puerto Princesa. Tentei mudar pra ferry direto pra Manila, mas não tinham mais vagas.

No final das contas não foi tão ruim assim. E as horas até Puerto Princesa passaram bem rápido. Foi mais barato também, então, sem arrependimentos. Cabe a cada um decidir o que for melhor pro seu itinerário.

  • Hospedagem:

Não tem como eu recomendar qualquer lugar que não seja o HOP Hostel Coron. Foi, de fato, o melhor hostel que já fiquei na minha vida.

O HOP fica em cima de uma ladeira, esse é o único defeito
O hostel tem todo um estilo grego e tudo é claro e lindo

Os quartos oferecem as camas mais gostosas do mundo e detalhe: tem camas de tamanho casal! Eu nunca tinha visto um beliche com camas de casal, e fiquei muito feliz de poder finalmente rolar de um lado pro outro mesmo estando em um hostel.

As camas são todas fechadinhas com cortinas também, então tem muita privacidade. Tem armários com cadeado pra colocar suas coisas, tem banheiros limpinhos com chuveiros muito bons, secador de cabelo, e tudo que você precisar.

Mas o mais incrível do HOP (além da vista surreal), é a atmosfera social. O hostel é todo feito e organizado pra ajudar os hóspedes a se entrosarem. Além da cozinha enorme, tem um quarto de cinema passando filmes, netflix e com vários canais, e um rooftop BIZARRO de lindo, onde toda noite tem algum evento. Além disso, o hostel organiza tours próprias com os hóspedes.

É quase impossível não fazer amigos no HOP, e a estrutura é tão legal que até quem não está hospedado lá acaba passando a maior parte do tempo lá também.

Ah, sem contar que o hostel é de frente para o mar e a vista do rooftop e da sala de jantar são as coisas mais lindas que você vai ver na vida.

nada mal para um hostel
vista diária do meu café da manhã no HOP

Eu se fosse você reservava sua cama lá com antecedência, porque algumas amigas que vieram de El Nido me encontrar acabaram não conseguindo vaga, por terem deixado em cima da hora. E olha que nem era alta temporada.

O preço é bem de boa, ainda mais se considerarmos todas as coisas maravilhosas que eu acabei de falar: paguei R$53 reais a diária pra cama dupla pelo Agoda, eles têm opções mais baratas pra camas de solteiro e também pra quartos sem ar condicionado.

  • O que fazer:

Assim como em El Nido, a atração principal em Coron são as tours, sendo que em Coron não existem praias próximas que valha a pena visitar. Somente ilhas que cercam a cidade.

Eu fiquei quase 10 dias em Coron e fiz somente uma tour fechada. O resto foram tours privadas. Só acordávamos de manhã e saíamos perguntando quem topava fechar um barco pra passar o dia em alguma ilha ou visitando algumas delas. Sempre conseguíamos mais de 7 pessoas.

Foram dias incríveis e relatar cada uma das ilhas requer um post próprio. Mas desde já deixo claro que essa opção é bem melhor que a tour fechada e permite ver Coron com outros olhos.

Já se prepare, porque os dias por lá se resumem a: mergulhar e tomar sol. São muitas horas de snorkeling, e você passa o dia inteiro praticamente molhado. É incrível, mas com o tempo cansa, você se acostuma inclusive com as paisagens paradisíacas. No entanto, é uma ótima oportunidade de se desligar do mundo que deixamos pra trás e aproveitar as coisas simples da vida. Eu sou apaixonada por Coron por causa disso.

Vista da Twin Lagoon

Visite e cuide das Filipinas

Esse país é incrível, de verdade. Eu já estou louca pra voltar e já estou me planejando pra fazer isso em 2019. Mas o aumento das propagandas e do fluxo de turistas têm afetado esse paraíso. Então se você for seja consciente. É um destino que deve desesperadamente ser protegido e bem cuidado, porque é algo que a humanidade não tem a capacidade de refazer.

Eu sinto muita responsabilidade escrevendo aqui sobre as Filipinas, porque sei que o turismo por lá tem duas faces: exploratório ao mesmo tempo que traz desenvolvimento. Além das questões ambientais, existem ainda outras questões muito sérias, como a da prostituição infantil e do turismo sexual (que retrato nesse post). Então, tente não ser o tipo de turista que colabora para que esse cenário se perpetue.

As Filipinas têm um espaço muito especial no meu coração, espero que você também se apaixone por essas ilhas e por esse povo. Uma coisa é certa: depois das Filipinas ninguém é o mesmo.

Paraíso é um lugar na Terra

 

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