Hong Kong: tudo o que você precisa saber

Hong Kong não fazia parte do meu itinerário e acabei indo para lá meio que sem querer. O que eu não sabia é que essa cidade linda ia se tornar um dos meus lugares preferidos no mundo e, até hoje, a melhor cidade que eu visitei na vida. Pensando nisso, eu quero convencer o máximo de pessoas a conhecerem Hong Kong, pelo menos uma vez. Então, juntei tudo o que você precisa saber antes de ir pra lá.

Os boatos que eu ouvi antes de ir foram o de que Hong Kong é uma cidade muito cara. Comparando com outros países que visitei na Ásia, os preços foram realmente mais altos que a maioria, mas não chegam nem perto dos valores de Singapura, por exemplo. Se você estiver com um budget limitado é possível sim visitar e curtir Hong Kong.

O que mais me apaixonou na cidade foi, com certeza, o convívio entre o antigo e o novo. A vibe de Hong Kong é muito difícil de explicar. Ao mesmo tempo que oferece a rapidez típica das metrópoles, convive com o zen da cultura oriental. Eu expliquei um pouco desse sentimento nesse post.

Hong Kong é um ótimo ponto de partida pro seu mochilão pela Ásia. O mesmo para, talvez, encerrá-la. No meu caso, foi lá que tudo começou, com o pé direito. Fiquei 03 noites e não foi o suficiente, tanto que pretendo voltar assim que possível.

COMO CHEGAR EM HONG KONG

Como eu disse, fui parar em Hong Kong “por acaso”. Fazendo minha pesquisa de passagens, percebi que era mais barato ir para os EUA e, de lá, ir para a Ásia do que sair do Brasil. Eu tinha amigos em Los Angeles, então sabia que não gastaria muito dinheiro se ficasse lá por uns dias antes de ir.

Dei a sorte de conseguir uma ótima promoção de passagem entre Rio de Janeiro e LA. De lá consegui fechar a ida pra Ásia com minhas milhas, acontece que as milhas para Bangkok estavam muito além do plausível. A atendente da one world sugeriu que eu tentasse outra cidade.

Foi assim que acabei em Hong Kong. A passagem saiu por 40 mil milhas mais 18 dólares. O voo foi brutal, 11 horas diretas, mas no final valeu muito a pena. A ida pra Ásia saiu muito mais barata do que eu imaginava e bem mais curta.

Então sugiro que você dê uma olhada em trajetos alternativos também. Até porque como a Ásia é bem longe, qualquer voo de ida teria que parar em alguns lugares, então talvez valha a pena parar e aproveitar um deles e, quem sabe, até pagar menos.

A dica é usar o site kiwi que permite criar vários itinerários diferentes, mostrando os preços pra todos os lugares do mundo. Eu uso também a opção do skyscanner que permite que você escolha o ponto de partida e a busca mostra os lugares mais baratos saindo de lá.

  • DO AEROPORTO PARA A CIDADE E TRANSPORTE EM GERAL

Chegando no aeroporto de Hong Kong é necessário escolher a forma de transporte pro seu hostel ou hotel. Eu sugiro que você pesquise isso com antecedência, talvez perguntando para o pessoa do hostel, porque vai depender de para onde você tenha que ir.

Hong Kong é dividida em áreas, sendo que as principais são a Central e Kwoloon. Meu hostel ficava em um bairro chamado To Kwa Wan, em Kwoloon. Tudo era muito perto, já que o transporte público é incrível. Além do metrô, há diferentes tipos de ônibus: aqueles de dois andares parecidos com os londrinos, e os bem pequenos, quase do tamanho de kombis.

Você pode ir de airport express (um trem super rápido) até a estação Central por R$61 e até Kwoloon por R$52. Outra opção para ir até a Central ou Kwoloon é de ônibus. Eu fui até o meu hostel por um total de R$20, pegando o ônibus A22.

Se você for ficar por alguns dias, eu aconselho a comprar o Octopus Card. É um cartão magnético recarregável que pode ser usado em todos os transportes públicos (metrô, trem, ferry, ônibus…). O valor mínimo de depósito e recarga é de 150 HKD, ou R$80, sendo que você consegue de volta os R$26 do depósito.

Para quem quiser usar o Airport Express, existe ainda a opção do Airport Express Travel Pass. Por 300 HKD (R$159) você compra a ida e volta pro aeroporto com o trem rápido, mais viagens ilimitadas na cidade, usando qualquer meio de transporte, por 3 dias consecutivos.

Como a forma mais rápida de chegar no meu hostel era de ônibus, eu preferi a primeira opção (Octupus Card). Então vale a pena dar uma pesquisada antes de ir, pra ter certeza de qual é a forma mais econômica.

Outra dica muito importante são dois apps que me ajudaram muito na hora de usar o transporte público em Hong Kong:

  1. HKeTransport (todos os meios de transporte)
  2. MTR Mobile (horários, linhas e informações sobre o metrô)

HOSPEDAGEM

Como expliquei ali em cima, Hong Kong tem duas áreas principais. Eu recomendo você ficar em uma delas, já que serão mais próximas das atrações principais, e muito bem servidas pelo transporte público.

Eu fiquei em um hostel maravilhoso. Era minha primeira experiência em hostel sozinha, então estava bem apreensiva. Fui muito bem surpreendida.

The Mahjong Hostel em Hong Kong
O hostel era todo fofinho assim

O nome do hostel era The Mahjong. As camas são do estilo “cabine” e você tem total privacidade. No dormitório feminino o banheiro fica dentro do quarto (suíte) e eles oferecem tudo o que você imaginar (shampoo, condicionador, chapinha e secador…).

O café da manhã é incluso, mas você tem que cozinhar e as opções são limitadas. Eu não tomei café da manhã nenhum dia. A sala tem livros, computadores disponíveis, jogos, violão… Além disso, eles são totalmente eco-friendly, e separam todo o lixo reciclável.

Minha estadia foi incrível, apesar de eu não ter feito nenhuma amizade nesse primeiro destino. Eu chegava tão cansada das andanças que só pensava em dormir (além de estar me acostumando com o jet lag). Mesmo assim, tive a melhor das impressões no Mahjong. Eles inclusive me devolveram meu depósito via paypal depois de eu ter esquecido de fazer o early check-in. Ah, e a diária saiu por R$115.

Além do Mahjong, Hong Kong está bem servida de hostels. Eu, como sempre, sugiro que você use o Agoda para encontrar a melhor opção pro seu estilo de viagem.

O QUE FAZER

A melhor atração de Hong Kong é Hong Kong. Parece estranho, mas a verdade é que o que eu mais gostava de fazer por lá era simplesmente andar e descobrir a cidade. Para alguém que nunca tinha visitado a Ásia, o contraste cultural era impressionante e cada rua trazia algo novo.

Os letreiros são exatamente como nos filmes. A cidade é viva e vibrante. Do nada, enquanto você anda pelas ruas super modernas, surgem templos quase que escondidos, lindos e misteriosos por dentro. À noite o espetáculo é ainda mais bonito, as luzes da cidade tomam vida, e é como um sonho.

Mas não se engane, Hong Kong é uma metrópole e tem tudo aquilo que as metrópoles têm. As pessoas andam com pressa de um lado pro outro, as ruas estão constantemente cheias e há barulhos e cheiros muito fortes e que adicionam ainda mais personalidade à cidade.

Eu sugiro que você ande pelas ruas da parte central da cidade, visitando o templo Man Mo na Hollywood Street, e descobrindo as várias artes de rua que estão por toda a parte.

Templo Ma Mo
Templo Ma Mo, um dos mais lindos que já visitei, bem no coração de Hong Kong
  • VICTORIA PEAK

O Victoria Peak é um morro que fica no meio de Hong Kong. Lá do alto é possível ver a cidade inteira.

No acesso ao terraço existem várias lojinhas e restaurantes (inclusive um Bubba Gump, que me fez rir sozinha). O terraço pode ser acessado de várias maneiras, de ônibus e de táxi. Mas a forma mais famosa e antiga é através do Peak Tram, um trenzinho antigo que sobe pela montanha. O valor é mais caro que o ônibus (R$52,48 ida e volta), mas já inclui a entrada, então vale a pena.

Vista do terraço do The Peak
  • BIG BUDDHA

    O Big Buddha visto de perto

Outra atração muito legal, a melhor na minha opinião, é o Big Buddha. O também chamado Tian Than Buddha fica na ilha de Lantau e foi uma das coisas mais lindas que vi na viagem. Além da estátua gigante, que fica no alto da montanha, a atração inclui um bondinho com vista de tirar o fôlego e uma trilha com várias coisas legais para explorar.

Para chegar em Lantau você pode usar seu Octopus Card e ir de metrô até a estação Tung Chung. É de lá que você pega o bondinho (Ngong Ping Cable). Há duas opções: o bondinho normal e o bondinho de “cristal” que é todo de vidro, incluindo o chão. A segunda opção é mais cara, mas eu achei que valeu muito a pena, não só porque foi muito lindo, mas também porque a fila era bem menor.  Eu paguei ida e volta R$140, sendo que o bondinho “normal” sairia por R$112.

Eu recomendo muito que você não limite a visita à estátua: o alto da montanha tem muitas coisas a mais a serem exploradas. Algumas vaquinhas ficam andando por lá, além de terem vários monumentos budistas e uma trilha que leva até o Heart Sutra (Prajna Paramita). Eu explico um pouco mais sobre esse Sutra nesse post.

Eu no meio do Heart Sutra
Heart Sutra

Sugiro que você separe um dia inteiro para visitar o Big Buddha e que chegue cedo. A estátua fica bem cheia, o que pode afetar a sua visita.

Ah, tem também um outlet na estação Tung Chung, o que me pareceu bastante paradoxal. Os preços são muito bons, mas como eu fui com budget bem limitado, preferi usar meu dinheiro nas atrações, que não eram em si tão baratas.

  • LADIES’ MARKET

Falando em compras, Hong Kong é um paraíso pra quem quer gastar. Desde lojas super caras e marcas mundialmente conhecidas, até bugigangas e aparelhos eletrônicos de origem duvidosa, essa é a cidade certa pra você perder horas comprando. Ou só olhando (como eu fiz).

O Ladies’ Market, em Kowloon, é um mercado de rua que você tem que visitar. São um milhão de tendas, com todos os tipos de bugigangas que você possa imaginar. São eletrônicos, acessórios, mochilas, bijouterias… A lista é infinita.

Os preços são muito bons, mais ainda se você for bom em pechinchar. No Ladies’ Market eles levam a pechincha muito a sério. Uma senhorinha chegou a me dar uns bons tapas para me coagir a comprar.

Eu considero um programa bem legal pra você fazer a noite, ou no anoitecer. Assim que a noite chega as ruas ficam iluminadas pelos letreiros e você parece estar num filme do Jackie Chan. Aliás, Kwoloon inteira é uma parte bem mais “chinesa” que o Centro de Hong Kong.

amo essa fotinho
As ruas de Kowloon ficam todinhas assim: iluminadas

Então tirar um tempo para andar pelo Ladies’ Market e pelos seus arredores é um dos melhores programas para realmente conhecer o dia a dia mais chinês de Hong Kong. Foi lá que eu encontrei os famosos ovos podres que eles comem, dentre tantas outras comidas tradicionais (que eu, obviamente, só olhei).

ovinhos podres
Quem teria coragem de provar??

Os barulhos e os sons da multidão são muito interessantes, e eu me senti uma verdadeira viajante ali, perdida no meio de tudo. Espero que você possa aproveitar esse sentimento também.

Ah, e foi por ali que eu achei o Girls Tattoo HK onde fiz minha terceira tatuagem. Se você estiver afim de fazer uma também eu super recomendo!

  • COMER DIM SUM

Ir a Hong Kong e não comer Dim Sum é um pecado capital. Juro. Apesar de a comida em geral ser maravilhosa por lá, os dumplings são o carro chefe da cidade.

E o melhor: eles são muito baratos. Até mesmo os servidos no famoso Tim Ho Wan (que tem uma estrela michelin) saem por volta de 15-20 HKD (R$8-10).

Além disso, vale a pena experimentar os pratos verdadeiramente chineses, principalmente os vendidos em Kwoloon. É com certeza a opção mais barata e, muito provavelmente, a mais saborosa.

 

VISITE HONG KONG

um dos muitos grafites que enfeitam a cidade

Infelizmente, eu só tive 3 dias em Hong Kong e, por isso, deixei de fazer muitas coisas que eu queria. Mas fico feliz por ter um motivo para voltar.

Mais feliz ainda eu fico por ter conseguido mostrar para mais pessoas o quão incrível é Hong Kong, e ter inspirado elas a colocarem essa cidade maravilhosa no próximo itinerário delas. Espero que você faça o mesmo e visite Hong Kong.

Eu serei eternamente grata à essa cidade. Foi por todas as emoções que Hong Kong me fez passar que me senti confortável o suficiente para fazer uma tatuagem lá e levar para sempre comigo todas essas sensações, além de uma lembrança de que a Ásia sempre estará me esperando de braços abertos.

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