O começo de tudo.

Desde a primeira ideia deste projeto e deste blog, foi difícil pensar em como começar. Sei que mais do que um relato, ou um diário de uma mulher viajando o mundo sozinha, quero iniciar um diálogo, comigo mesma e com o mundo.

Diálogos entre desconhecidos geralmente se iniciam meio sem jeito, quando os envolvidos ainda mal se conhecem e têm medo de exporem tudo aquilo que são, desejam e pensam. Então, já me desculpo se este primeiro post for meio desajeitado e tímido. É só meu jeito de tentar “quebrar o gelo”.

Primeiramente, uma conversa exige mais de uma parte, e a par das minhas esquizofrenias ocasionais, o objetivo deste espaço é justamente iniciar uma conversa com o mundo, principalmente com mulheres que, assim como eu, têm sonhos gigantescos de liberdade e conquistar o mundo (sei que somos muitas). Então, quero desde já convidar a sua participação, seja para criticar, acrescentar ou só dizer oi.

Isso porque o principal objetivo deste projeto é servir como inspiração, como lugar de troca de experiências e motivação para a quebra de padrões. Somos constantemente catalogadas como loucas, ingênuas ou arrogantes quando temos sonhos grandiosos e isso acaba por nos desmotivar, mas quero que aqui as loucas tenham espaço, para afirmarem suas ambições e sonhos e compartilharem suas loucuras.

Este projeto é a minha loucura particular e surgiu justamente de uma vontade insana de voar. Não no sentido literal da palavra, obviamente. O rotineiro e comum sempre pareceram me sufocar, e os meus sonhos grandiosos muitas vezes foram confundidos com arrogância ou ingenuidade, mas eu sempre soube que estavam apenas tão distantes quanto a minha perseverança.

Depois de me formar em direito – o que levou 6 anos morando sozinha, duas crises intensas de depressão, muito aprendizado e amadurecimento – a ideia de viver meus próximos anos usando roupa social, trabalhando loucas horas e sacrificando meu tempo e saúde para defender causas que não tinham qualquer relação com as minhas crenças mais fundamentais parecia ser intragável. Foi então que, depois de muitos livros de auto ajuda, aulas de yoga, crises de ansiedade e noites me perguntando qual o sentido da vida, decidi ampliar minha visão acerca do mundo. Interior e exterior.

A melhor forma de fazer isso, para mim, era me jogar no mundo. Me colocar em situações desafiadoras, me tornar um pontinho em movimento numa multidão de desconhecidos e abraçar a beleza de ser estrangeira, de cabeça, olhos e ouvidos abertos para absorver novas perspectivas.

Como já esperava, a ideia de uma “menina” de 23 anos decidir viajar o mundo com uma mochila nas costas soou absurda, tanto para meus pais quanto amigos e até para mim mesma. Não só isso, a quantidade de informações e dicas na internet (principalmente em português) eram tão poucas, que eu realmente comecei a acreditar ser um sonho quase impossível.

Me faltava ainda uma motivação extra, um sentido que fosse além de mim mesma. Foi então que juntei à minha loucura a insanidade de outras mulheres, e acrescentei ao meu sonho a possibilidade de ajudar a realização dos sonhos de outras.

O projeto então tomou forma e nasce hoje, com esse post. O lone wolfing será um canal via blog, Instagram e youtube, que terá como objetivo transmitir minhas experiências viajando o mundo sozinha, com bem pouca grana, e mostrando os perrengues e maravilhas do percurso. E não só isso. Será um lugar para discutir os desafios que ainda enfrentamos por sermos mulheres, aqui no Brasil e mundo afora, e o que podemos fazer para nos tornarmos também protagonistas do movimento feminista, para mudarmos, ainda que de leve, a realidade do nosso gênero.

Mais uma vez, lembro que o principal objetivo é criar uma plataforma, um veículo, para uma conversa, uma troca. Não quero (nem tenho a autoridade necessária) dar sermões ou escrever minhas verdades absolutas. Quero principalmente motivar meninas que queiram também viajar o mundo, bem como todas as outras que pensam fora da “caixinha” e sonham com uma independência que ainda não nos é absoluta. Quero também demonstrar as dificuldades que temos já o privilégio de termos ultrapassado, mas que muitas mulheres em outros cantos do mundo ainda enfrentam diariamente.

Por ser um projeto da minha cabeça, inspirado por tantas outras mulheres fodas, espero que vocês também ajudem a forma-lo, uma vez que é ainda só uma ideia, uma semente que lanço na internet esperando que cresça o suficiente para gerar mudanças no mundo “real”.

Espero que esse primeiro papo não tenha sido chato demais, nem muito desajeitado. Com o tempo vou me aperfeiçoar nessa história de ser blogueira, prometo.

O importante é que, desde já, declaro iniciado o projeto lone wolfing.

Obrigada por lerem e participarem do meu sonho!

Ieda Fontoura

 

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5 Comentários

  1. Há alguns anos eu já tenho certeza que muito além da amizade, em você eu encontro minha soul mate! Tão parecidas e tão diferentes ao mesmo tempo, compartilhamos histórias, emoções, sonhos e anseios! E aqui, com esse seu novo filho nascendo, eu só quero te desejar tudo de melhor que esse mundo pode te oferecer. E quando digo “melhor” não venho com ingenuidade de achar que não passará por vários perrengues ao longo da jornada, mas venho com a certeza de que esses perrengues vão te encher de qualidades que te tornarão um apessoa cada vez melhor, para você e para os outros (mais paciência, mais compaixão, mais empatia, mais flexibilidade).

    Ieda, que você consiga, pelo caminho, se sentir plena. Que você consiga tocar almas. Que você tenha a sua alma tocada!

    Boa viagem, e até breve <3
    Lola.

    PS: wait for me bb. i hope i reach u soon.

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