Quero morar fora, por onde começar?

morar fora

Se você, assim como eu, sempre sonhou em morar fora, esse guia é pra você. Se você ainda não tem certeza, leia esse post antes.

A função de planejar um intercâmbio pode ser assustadora, então ter um passo-a-passo pode te salvar muito tempo e ansiedade.

Quando a gente decide se jogar no mundo, além da animação vem também o medo e a ansiedade. E não é pra menos: intercâmbio é uma decisão séria que deve ser bem planejada.

Por isso, é importante pesquisar bastante e ir bem preparada. Nessa preparação o youtube e o google vão ser seus melhores amigos.

Além disso, o ideal é que você comece os preparativos com bastante antecedência. Eu não sou muito boa nessa parte e geralmente acabo deixando tudo pra última hora. Mas é legal que você tenha pelo menos seis meses pra se preparar.

Assim, você evita grandes dores de cabeça e garante só os perrengues básicos e quase obrigatórios de intercâmbio.

Então, sem mais delongas, vamos para o passo-a-passo de como planejar seu intercâmbio. Se possível, pegue um caderninho e vá anotando suas respostas/ideias.

1. Por que você quer morar fora?

Responder essa pergunta é a primeira parte do processo. Isso porque existem vários tipos de intercâmbio e é importante escolher uma categoria que vai atender àquilo que você procura.

Por exemplo, você quer morar fora para aprender inglês? Então um intercâmbio de línguas é o ideal pra você. Você quer morar fora para fazer trabalho voluntário? Então um intercâmbio voluntário encaixa mais no seu perfil… E assim por diante.

Por isso, é importante primeiro decidir o motivo pelo qual você quer morar fora. E pode ser mais de um, tá? Nesse meu último intercâmbio aqui na Austrália meus objetivos eram: estar perto da Ásia e conseguir trabalhar pra juntar uma grana.

Então, o primeiro passo é gastar um tempinho pra pensar o que você quer adquirir com seu intercâmbio. Com a resposta em mãos você vai saber exatamente quais programas te servem e quais não são bem pra você nesse momento.

2. Onde você quer morar?

Na minha experiência pessoal, eu sempre soube que queria morar nos Estados Unidos, mas meu desejo de morar fora era tão grande que eu estava topando tudo.

Se você não faz ideia de pra onde quer ir, é legal fazer uma pesquisa dos países que mais te chamam a atenção. Aqui também vai ser importante saber a resposta para a primeira pergunta.

Isso porque, se seu objetivo for trabalhar fora, ou essa for uma necessidade pra você se manter morando fora, é importante que você vá para um país em que seja possível trabalhar legalmente.

Dica: em países em que estudantes não podem trabalhar é interessante dar uma olhada em intercâmbios de Au Pair e Working Holiday.

Outro fator que pode influenciar na sua decisão é o custo de vida em cada país. Por isso, é legal dar uma pesquisada a respeito disso.

O youtube ajuda muito. Várias pessoas (inclusive eu) já gravaram diários de intercâmbio falando sobre os mais variados assuntos relativos às experiências deles em cada país.

3. Escolha o tipo de intercâmbio perfeito pra você

Depois que você souber para onde quer ir e mais ou menos o que você está procurando lá fora, vai ser a hora de escolher o programa que mais combina com você.

Existem vários tipos de intercâmbio. O mais comum para quem ainda está no ensino médio, e o primeiro que fiz, é o de high school. Mas além dele, existem ainda os programas de working holiday, au pair, intercâmbio de línguas, cursos vocacionais…

Vale considerar o tempo que você quer ficar lá fora, se você precisa ou não trabalhar para se manter, se você quer estudar em uma escola comum ou em uma escola de línguas, ou se você quer algo completamente diferente como estudar sustentabilidade numa floresta.

Para te ajudar, aqui vai uma explicação rapidinha dos programas mais comuns de intercâmbio:

– High School

Esse é o tipo mais comum de intercâmbio pra quem está no ensino médio. Basicamente, você vai passar 6 meses ou 1 ano estudando em uma escola local no país da sua escolha.

Fiz esse intercâmbio com 15 anos e posso dizer que é a melhor opção pra quem quer aprender inglês de verdade. Até hoje as pessoas me perguntam como meu inglês é tão fluente, e a razão é esse programa.

Isso porque você provavelmente vai ser mandado pra um lugar no meio do nada. Então, há uma grande probabilidade de você acabar em uma cidade em que ninguém fala português, nem mesmo espanhol. E isso é um fator decisivo pra você aprender de verdade a falar e entender inglês.

Eu recomendo 100% essa experiência. Se eu decidir ter filhos algum dia na vida, eles com certeza farão esse intercâmbio assim que puderem.

– Working Holiday

Esse programa é ótimo para, além de exercitar o inglês, conseguir trabalhar durante o intercâmbio.

Tenho amigas que já participaram desse tipo de programa e todas gostaram muito. Você pode escolher trabalhar em hotéis, estações de ski e até na Disney. Os destinos vão desde o Colorado ao Havaí.

O lado bom é que você pode garantir um salário e dólar, conviver com pessoas do mundo todo e ter uma experiência inesquecível.

Parecido com o Working Holiday, o Au Pair é um programa pra quem quer fazer um intercâmbio trabalhando como babá. Nesses programas você pode estudar o idioma e trabalhar na casa de uma família cuidando de crianças. Você pode ler mais sobre esse programa aqui.

– Intercâmbio de línguas

Se você já não está mais no ensino médio, ou se você não tem de 6 meses a 1 ano, o intercâmbio de línguas pode ser o programa pra você.

Nesse tipo de intercâmbio você estuda em uma escola de idiomas, com pessoas do mundo todo, pelo tempo que quiser (alguns programas começam com 2 semanas!).

Eu nunca fiz esse tipo de intercâmbio e tenho minhas dúvidas quanto a possibilidade de você aprender de verdade algum idioma do zero passando menos de 6 meses em um lugar.

Além disso, nesses programas a probabilidade de você conhecer vários brasileiros é muito grande, o que já prejudica o aprendizado de uma nova língua.

Por isso, eu recomendo esse tipo de intercâmbio pra quem já tem uma noção básica e quer dar uma melhorada em algum idioma. Além disso, é muito importante que você vá com uma intenção bem determinada de aprender. A tentação de se relacionar só com brasileiros e pessoas que falam em espanhol é grande e você pode acabar aprendendo menos por causa disso.

– Cursos vocacionais

Por fim, o último exemplo é o intercâmbio que estou fazendo agora na Austrália.

Para esse tipo de intercâmbio você precisa ter um inglês intermediário. As aulas são em inglês e você precisará passar em um teste para poder se matricular.

Os cursos são os mais variados possíveis. Você pode escolher desde business (administração) até cursos especificos de sustentabilidade, jornalismo e moda.

A depender do país em que você decidir morar você também poderá trabalhar, geralmente tendo alguma limitação em relação às horas.

Eu estou gostando muito de poder trabalhar, no entanto, o curso em si não tem me ensinado muito. Então, é importante deixar claro que esse tipo de intercâmbio geralmente é pra quem quer garantir o visto e estudar pouco.

As aulas são até 2 vezes na semana. Os cursos de idioma são todos os dias. Então, você tem mais tempo para trabalhar e pra curtir seu intercâmbio.

Para saber mais sobre esse intercâmbio e, mais especificamente, sobre a minha experiência aqui na Austrália, o post sai ainda esse mês!

4. Escolher a agência de intercâmbio

Se esse é seu primeiro intercâmbio eu te aconselho a ir com uma agência. Agora, se você já tem um inglês fluente/muito bom, é possível organizar um intercâmbio por conta própria.

Eu organizei meu intercâmbio em San Diego completamente sozinha quando percebi que o pessoal das agências estava mais perdido que eu. O meu curso era bem específico, de inglês jurídico, e os atendentes não tinham noção nenhuma sobre o que ele era.

Então eu comecei a pesquisar por conta própria. Contatei a Universidade sozinha e resolvi todos os pormenores por conta.

No entanto, no meu intercâmbio aqui na Austrália eu escolhi vir com agência de novo. Isso porque eu não tinha nenhuma familiaridade com o país. Além disso, quando pesquisei “VET Courses Australia” centenas de milhares de cursos apareceram. Pra completar, nem todos os cursos eram oferecidos para alunos internacionais, então eu fiquei bem perdidinha.

Como morar fora é uma decisão com vários fatores que podem dar errado, na dúvida é melhor contratar uma agência.

Eu coloquei essa parte como o 4o passo porque acho importante você já ter uma noção do que quer quando for às agências. Assim você não vai ficar “boiando” quando o atendente te apresentar tantas opções.

As mais conhecidas para os mais diversos destinos são: EF, STB, CI, IE, e Egali. Eu até hoje só usei a STB e posso recomendar de olhos fechados. O preço é um pouco mais alto, mas eu sempre acabo escolhendo eles pela confiança. Eu tive todo o apoio quando estava nos Estados Unidos e continuo tendo aqui na Austrália.

Como escolher a empresa ideal?

Comece sua pesquisa digitando intercâmbio no google. 25.100.000 resultados vão aparecer, mas se você olhar as primeiras 4-5 páginas já vai ter uma noção das empresas com a melhor reputação.

Depois disso, vá pessoalmente em algumas dessas empresas. Converse com os atendentes e dê uma olhada nas opções que eles te oferecerem. O importante aqui, além do fator óbvio do preço, é que você se sinta bem e confortável com a pessoa que vai te ajudar.

Alguns fatores que me levam a descartar uma empresa são:

  1. Quando tentam me empurrar a um programa específico, ou me pressionar a decidir o mais rápido possível.
  2. Quando o atendente obviamente não sabe direito sobre o que está falando. Ou quando não demonstra uma atitude proativa de tentar descobrir mais pra te ajudar.
  3. Quando não sou bem tratada.

Depois da sua visita pessoal, dê uma pesquisada na internet. Você vai perceber que assim que decidir morar fora a internet vai se tornar sua segunda casa. Eu passava horas e mais horas pesquisando.

Quanto mais você pesquisar, mais confiante você vai estar a respeito da sua escolha. No entanto, é importante filtrar as coisas que você vai ler online. Nenhuma empresa é perfeita, então vai ser quase impossível não encontrar pelo menos um relato ruim.

– Escolher a forma de pagamento

Essa parte é bem importante. As empresas oferecem várias formas diferentes pra você pagar seu intercâmbio. O custo geralmente é bem alto, então é possível parcelar em boletos, no cartão…

Retomando o que eu disse no início, o ideal é que você comece a se preparar com antecedência. Dessa forma, você vai ter mais tempo pra guardar dinheiro, pagar as parcelas, se organizar financeiramente…

Pra quem tem uma situação financeira complicada, há várias bolsas de estudo (eu recomendo dar uma olhada no estudarfora). Além disso, você pode dar uma perguntada na sua universidade se existe algum convênio ou bolsa disponível. Por fim, existem até consórcios pra intercâmbio, pagando parcelas razoáveis você pode garantir uma viagem no futuro.

Então, eu te encorajo a não desistir do seu sonho de morar fora, mesmo se parecer bem distante. E também a se organizar bastante pra não só pagar o curso, como também se manter lá fora sem passar apuros.

– Fazer as malas e se jogar!

A parte preparatória de um intercâmbio pode ser estressante, mas também é um momento que no futuro você vai lembrar com carinho. Então aproveite esse momento pra sentir aquele friozinho na barriga, se despedir dos amigos, arrumar as malas…

E não tenha medo de fazer perguntas! Muita gente já fez intercâmbio e pode te ajudar. Inclusive eu! Então não deixe de se comunicar e vá totalmente preparada! Claro que nada vai sair como o planejado e vai ser desafiador, mas essa é a verdadeira aventura!

Desejo a você uma experiência maravilhosa no exterior!

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